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Profissão: Filho único.

Pedro Costa segunda-feira, 5 de julho de 2010
            Às vezes fico me perguntando por que os pais são tão protetores com os filhos. Tão idiota essa pergunta, não? Mas o fato é que eu nunca me senti tão protegido como antes. Mas não é uma proteção saudável que eu estou me referindo, e sim aquela proteção que sufoca, faz mal. Sinto isso a todo o momento porque minha mãe impõe essa proteção. Meu pai não é tão assim. Na verdade ele é, mas ponderado. Ele sabe medir a proteção que dá a mim. Em outras palavras, ele me da liberdade “na medida do possível”. Já minha mãe desconfia de tudo e de todos. Sempre acha que eu não tenho boas companhias, que os meus amigos vão me levar para o mau caminho. Mas a única coisa que ela pode fazer é ter confiança em mim, só isso. Se ela tivesse o mínimo de confiança em mim, ele evitaria grande parte das discussões que nós temos tido. Ela diz que confia bastante em mim. Não é o que parece. E a violência aí fora também atenua mais ainda o medo deles me “libertarem dessa clausura”.
Reclamações à parte, me pergunto se também vou tratar esse assunto da “super proteção” com os meus filhos assim como os meus pais tratam comigo sobre esse assunto. Por ora, digo que não. Não digo que vou ser extremamente permissivo com eles, mas vou deixa-los livres o quanto meus pais não me deixaram.
Um fator determinante pra essa “superproteção” que meus pais impõem a mim é o fato d’eu ser filho único. Quando se tem um filho só, é tudo mais, digamos “exclusivo e intenso”. O carinho dos pais é só pra aquele (a) filho (a) bem como a atenção, dedicação e etc. Em contrapartida, você, caro (a) filho (a) único (a), será a válvula de escape dos seus pais. Digo por experiência própria. Não sei se isso acontece com todas as famílias. Pelo menos aqui em casa é assim. Quando um dos dois está de mau humor ou quando há uma briga entre eles, a “bomba” vem em cima de mim. E não adianta discutir, argumentar ou sequer esboçar qualquer reação. Eles vão sempre achar que você está errado. E lembre-se: eles vão incluir você na discussão mesmo que você tenha acabado de chegar em casa e não tiver sequer visto um segundo da discussão deles. (Isso já aconteceu comigo.)
Não sei se seria mais fácil ou mais complicado se eu tivesse uma irmã ou um irmão. Seria bom, pois os meus pais poderiam dividir essa “superproteção” que eles têm comigo. (No caso, mais a minha mãe do que meu pai.) Por outro lado, qualquer merda que eu faça, eu não teria ninguém pra por a culpa.
Enfim, a única coisa a fazer diante dessa complicada (?) situação de não ter irmãos e ser “superprotegido” é tentar entender os pais. Eles já tiveram a nossa idade e já devem ter passado por tudo que estamos passando. Ter paciência, mas muita paciência também é fundamental nessas horas. E ter muito diálogo. Tentar evitar ao máximo as brigas também é valido. (Muito válido!) Nada que uma boa conversa pra entrar em acordo em alguma situação não resolva.
That’s all, folks!

2 comentários:

Bia Velloso disse...

Uau!
Pedro Costa, o escritor!
Sensacional!
Aqui é assim, normal... rs

Livs disse...

Aqui eu vi muito a parte dequem tem a super proteção do filho unico, mas há tbm a mais esquecida que é a super proteção do filho mais velho, que se é liberado para algo, logo o mais novo, quando tiver a mesma idade fará tbm, custeia um pouco de responsabilidade e maturidade, mas quem disse que crianças entendem isso? Ahhn, super proteção que estraga e mima.

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